A Costureirinha na revista Manequim edição janeiro 2015

A máquina de costura me ensinou lições valiosas. A mais difícil de trazer pra vida real – e também a mais importante – é que a gente tem que trabalhar duro, caprichar ao máximo, mas ter em mente que nem sempre tudo sai como planejamos. As coisas têm um tempo próprio, só delas, de acontecerem.

Quem me acompanha de perto já percebeu que ando distante, e é por um motivo muito, muito triste. Perdi meu irmão no começo do mês de maneira trágica e em outro país. Ele tinha apenas 22 anos. E desde então a vida não tem sido mais a mesma. Tenho passado os dias com a minha família em Brasília, dando e recebendo apoio e tentando manter o fruto de todo o meu trabalho nos últimos anos: minha singela escola de costura itinerante.

Mas como a própria máquina de costura me ensinou, as coisas têm seu tempo e o luto é algo que eu nunca poderia imaginar como é de verdade. Eu não sou uma empresa com um monte de funcionários: os vídeos, os tutoriais, os textos, os e-mails e tudo que você vê por aqui são fruto do meu trabalho e da minha energia. E ela não anda muito estável.

Nos últimos 21 dias eu, minha mãe e irmã viajamos para o Canadá, sentimos -12 graus em nossos rostos com agasalhos nada apropriados para isto, enfrentamos uma burocracia e prazos absurdos para trazer o corpo do meu irmão para cá, aprendemos inglês a toque de caixa, enfrentamos níveis de stress surreais e ficamos longe de todas as pessoas que amamos. Só agora a gente conseguiu se despedir dele. E o luto leva tempo. É uma coisa maluca, que muda completamente você de dentro pra fora e faz com que cada célula do seu ser, cada respiração, cada batida do coração te diga o quanto a gente tem que viver a vida de verdade. O quanto temos que aproveitar a presença de quem queremos – e de quem nos quer – bem.

Viver uma vida sem o meu irmão é como aprender a costurar. Praticar, praticar. Acordar cada dia sabendo que ele não estará mais aqui. Fazer de cada retalho de dor um pedaço de uma manta bonita, que vai nos aquecer com as boas lembranças que temos dele. Andam nos dizendo que daqui a um tempo, se a gente tiver paciência e muita força, isto vai acontecer. E nós estamos praticando.

A Costureirinha na revista Manequim edição janeiro 2015

No meio desta loucura aconteceu uma coisa muito legal. A revista Manequim, em sua edição de janeiro/2015 publicou uma matéria de duas páginas comigo, onde ensino a fazer uma bata ainda mais fácil do que a que ensinei em vídeo lá no meu canal do YouTube. Tem também dicas de como transformá-la em um vestido que é super confortável e a cara do verão. A primeira foto deste post inclusive é super “veranesca”, tirei na praia dias antes de saber da notícia do meu irmão.

Infelizmente só consegui divulgar esta matéria linda aos 45 do segundo tempo, mas até o dia 31 você encontra a edição acima, com direito a foto minha num momento Felícia apertando o Frederico (o gato fofo e travesso que aparece nos vídeos), ao lado da belíssima Fernanda Vasconcellos bem no comecinho da revista. Tem nota sobre o projeto #roupalivre, do qual faço parte, logo no começo também. 🙂

Espero que gostem da matéria e costurem bastante por mim enquanto estiver ausente. É hora de praticar o luto. Mas prometo que volto com um sorriso no rosto, algum projeto bem legal de costura nas mãos e meu “maninho” no peito, onde ele vai viver a partir de agora.

Um beijo meus amores e até logo!

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